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quinta-feira, 12 de março de 2015

Imaculada Dualidade Profanada

Entre a ânsia e o controle,
O respeito e o pecado,
Ferroam o espírito desejos profanos,
Em noves e oitos, na cauda de um gato.

Sol e Lua de outro mundo
Contemplados em território proibido,
Onde o bardo sonha, ou não. Reprime.
(À cada instante aumenta a sua fome)

Evento dual observado no escuro,
Tesouro de chumbo em solo sagrado.
Sete vezes eu lhe afirmo sem incertezas,
Goza no Inferno e padece no Divino.

Sol e Lua de outro mundo,
Evento dual observado no escuro.
Sua luz é lança banhada em veneno,
Suas torres a perdição em forma de barro.

Entre a ânsia e o controle,
O respeito e o pecado,
Dança o bardo em cantiga,
Um passo para trás, dois passos para frente.

Para frente, rumo à ruína de seu espírito,
Para trás, rumo à agonia de cálice esquecido.
Evento dual observado no escuro,
Sonhado todas as noites,
A cada instante aumentando sua fome.

Evento dual observado no escuro,
Sol e Lua de outro mundo.
Suas torres são a perdição em forma de barro,
Suas garras tal como guante de veludo.

Evento dual observado no escuro,
De outro mundo,
De outro livro.
Canta o bardo, ora em auxílio,
A cada instahte aumentando sua fome...

Eu presenciei algo no escuro...
Sol e Lua de outro mundo.
Suas torres eram a perdição em forma de barro,
Noves e oitos na cauda de um gato.

Eu presenciei algo no escuro...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Horizonte

Hoje me peguei fitando o horizonte

Comtemplando o vazio de minha própria alma

Revivendo esboços de memorias passadas

Sem ao menos saber se alguma delas era real.

O olhar perdido em meio a torrente

O medo acariciando os cabelos com mão calma

Dores em um peito consoladas

Lágrimas para alegrar o funeral.


*****


Menina calada

Cega pela presença constante da solidão

Vendendo seus largos sorrisos

Para comprar um pouco de afeição

Pela saudade massacrada

Ainda assim abre o coração

Como a chuva que alimenta rios

Crendo fielmente na renovação.


*****


Hoje me peguei fitando o horizonte

Deixando a mente inconsequente divagar

Recordando momentos tão aguardados

Que sequer aconteceram.

Garganta gritando silenciosamente

As cicatrizes a alma a decorar

Prazeres imensamente estimados

Acalentados por pesadelos que assombram.

Jardim de Guerra

Por W Y. Roses

Flores pisoteadas acenam, sua esperança corrompida,
O azedume da carne mal comida sorrindo de mais uma baixa causada.
Todas as bonecas almejam pela chegada dos guerreiros,
Enquanto cavaleiros conquistam suas taças douradas...

Mas somente para derramar o seu rubro vinho.

Eu continuo essa estrada pela penitência, minha loucura em expansão,
O perfume das flores mortas é o inimigo oculto que sorri e me desafia.
Milhões de histórias esperando seu final feliz,
Enquanto príncipes e ladrões levam os sonhos pelas mãos...

Somente para derramar seu rubro vinho.

Monstros olham curiosos, cartas amassadas entre suas garras,
Os senhores e cavalheiros zombam colhendo mais uma rosa de jardins secretos.
Outro tesouro prestes à ser desenterrado,
Enquanto eles abrem e perfuram mais uma concha...

Apenas pelo prazer de vinhos e licores derramados.

Meu corpo cansado permanece de pé,
A face humilhada, a coroa partida, a carne intacta.
Destruído pela destruição de meu orgulho o pesadelo está morto,
Minha espada é o desejo que perfuma as noites sem sono...

Sob minha sombra permances vívida, ciano, completa… Aqui me calo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Imbranato

Perdoe os meus incontáveis defeitos 
Esse meu jeito exagerado 
De quem diz estar apaixonado 
Ignore os meus incontroláveis devaneios 
Como se isso fosse engraçado 
Alguém que não sabe permanecer calado.
*****
Desculpe se minha ideia não é coerente 
Sou um completo desajeitado 
Mantendo um riso forçado 
Desculpe se não finjo quando descontente 
Alimentando um amor inventado 
De um coração fatigado.
*****
Perdoe os meus olhos inocentes 
Essas mãos de toques afobados 
E desejos apressados 
Perdoe os meus lábios sorridentes
Que por você estão encantados 
De segredos sussurrados.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Abismo

Já estive a beira do abismo algumas vezes,
Com a sensação de fracasso ecoando aos ouvidos.
Com a solidão abraçando-me de braços frios
Abrindo as entranhas de minha alma com fartas sedes.
São apenas olhares fugazes,
Daqueles que não passam de mortos-vivos.
Defendendo inutilidades com seus brios
Não percebendo que somente estão enlaçados por emaranhadas redes. 

 *****

A escuridão acabara por se tornar amiga,
Guardando melhor os segredos que tinha a contar
Entoando minhas velhas canções de menina
Tomando minha mão e me pondo a dançar
Talvez apenas uma louca varrida,
Que os olhos secou de tanto chorar
Amargura deu lugar à ânsia felina
Que veio com o inferno a vida coroar.

***** 

Já estive a beira do abismo algumas vezes
E por ele encantadoramente atraída,
Tornei-me sua Rainha decaída
Casei com os beijos doces de sua perfídia
E bradei em altos timbres sua prole de maldizeres.
Com os lábios vorazes
Ignorando a prudência a muito definida
Fazendo de suas vontades regalia
Para desfrutar de seus insondáveis prazeres.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Farfalla



Voe
Livre e feliz
Com o colorido de uma borboleta
Guarde só aquilo que lhe condiz
Deixe a areia escorrer pela ampulheta.

******

Ame
Sincera e intensamente
Apenas se puder ser fiel
Cante
Aquela canção que te deixa confiante
Sem se importar com o papel.

*****

Tome
Uma pequena iniciativa
Que pode mudar seu rumo
Sonhe
Crie sua fantasia
Seu próprio mundo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Caído



Perdoe esse anjo caído
Que vive em pecado
Apenas um pobre apaixonado
Com suas asas quebradas
Buscando cura para as feridas
Só mais um coração traído.

*****

Perdoe esse anjo caído
De alma maltratada
E fé despedaçada
Tentando encontrar um caminho
Abandonar o desatino
De um peregrino abatido

*****

Perdoe esse anjo caído
Uma ovelha do rebanho desgarrada
Com sua tristeza camuflada
Sem ter uma direção
Ou um rumo para intuição
Seguindo completamente perdido.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Dio





Deus!
Onde estás quando por ti chamo?
Para dissipar aquele medo momentâneo?
Senhor!
Onde está a tua infinita bondade?
Para livrar-me da fria crueldade?

*******

Pai!
Por que já não me trata como filho?
Não dizes que do teu amor sou digno?
Oh, Deus!
Por que me abandonastes?
Por que minhas preces sempre ignorastes?

******

Deus!
Não és tu o todo poderoso?
Por que não acalma o coração pesaroso?
Senhor!
Onde estás quando em prantos por ti clamo?
                                      Será que não passastes de mais um engano?